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PRESOS ILUSTRES

Antes de Arruda, outros presos 'ilustres' já ficaram na Superintendência da PF em Brasília

Fernandinho Beira-Mar, PC Farias e o ex-senador Luiz Estevão são alguns exemplos

Por Carlos Lima   
24/02/2010 06:00h
A Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde o governador afastado do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda, ocupa uma sala desde quinta-feira (11), já recebeu outros presos ?ilustres?. As celas da carceragem da PF, desativada em 2009, já foram ocupadas pelo traficante Fernandinho Beira-Mar, pela cantora mexicana Gloria Trevi, pelo ex-senador Luiz Estevão, pelo juiz federal João da Rocha Mattos e pelo tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor, PC Farias.

Pela legislação brasileira, ficam sob custódia da Polícia Federal os acusados de crimes contra a União, como, por exemplo, tráfico de drogas, contrabando, fraude contra a Previdência e evasão de divisas. Acusados com foro privilegiado, como senadores, governadores e juízes também podem ficar na sede da PF, pois o local tem uma estrutura diferenciada.

Em 2009, a carceragem da Superintendência da PF, que fica no fim da Asa Sul de Brasília, foi desativada por vários motivos, incluindo falta de segurança. No local, funciona hoje um centro de inteligência. Os presos sob custódia da PF passaram a ser encaminhados para uma das 40 celas do prédio da PF que fica dentro do complexo penitenciário da Papuda.

Foi para lá que foram encaminhados os outros cinco presos acusados, ao lado de Arruda, de tentar subornar uma testemunha do esquema de propina no DF, conhecido como mensalão do DEM. Todos negam envolvimento.

Arruda não foi para a Papuda porque é governador de Estado. Ele recebe tratamento diferenciado, mas foi transferido na última sexta-feira para uma sala quatro vezes menor. A ?nova morada? do governador afastado agora tem 10 m², com uma janela que dá para o pátio interno do prédio e sem banheiro. Antes, ele tinha 40 m², ar-condicionado, banheiro e janela.

Ele foi o primeiro governador do país preso no exercício do mandato.


Veja alguns ?ilustres? que passaram pela carceragem da PF em Brasília:


Gloria Trevi, entre 2000 e 2002

A passagem da cantora mexicana pela PF é digna de folhetim. Gloria chegou ao país em 1998. Foi presa em 2000 no Rio de Janeiro, acusada de abuso sexual e corrupção de menores no México. Foi levada à carceragem da Polícia Federal de Brasília e engravidou enquanto estava presa. Ela negou as acusações.

Como não tinha direito a visitas íntimas, a gravidez foi alvo de investigação dentro da PF. Ela chegou a dizer que sofreu abuso dentro da cadeia. Cogitou-se ainda que o pai da criança seria Fernandinho Beira-mar ou o assaltante Marcelo Borelli, presos em outra ala. Angel Gabriel nasceu em 2002. O exame de DNA comprovou que o menino era filho do empresário de Trevi, o mexicano Sergio Andrade.

A PF divulgou então que Trevi teria engravidado por inseminação artificial, com uma caneta esferográfica feita por ela mesma. Gloria foi extraditada em 2002, ficou um ano presa no México e foi inocentada pela justiça mexicana em 2004. Hoje Gloria vive como estrela. Os estupros na PF nunca foram comprovados.

Fernandinho Beira-Mar, entre 2001 e 2002

Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, considerado um dos maiores traficantes de armas e drogas da América Latina está preso desde abril de 2001, quando foi capturado na Colômbia. Beira-Mar é condenado por tráfico de drogas, formação de quadrilha e pela morte do ex-comparsa João Morel, e acusado de lavagem de dinheiro, contrabando, associação para o tráfico internacional de drogas e outros assassinatos. Ficou na PF entre 2001 e abril de 2002. Passou por vários presídios e hoje cumpre pena no presídio federal de Campo Grande (MS).

PC Farias, entre 1993 e 1994

O tesoureiro da campanha de Fernando Collor de Mello nas eleições à Presidência da República de 1989, Paulo César Farias, teve a prisão decretada em 1993 por crime de sonegação fiscal e foi levado para a carceragem da PF em Brasília. Ele também era acusado de chefiar um esquema de corrupção. Os escândalos envolvendo seu nome levaram ao impeachment de Collor, em 1992.

PC Farias estava fora do país quando a sua prisão foi decretada. Ele foi localizado na Tailândia. Em 1994,foi condenado por falsidade ideológica e transferido para o presídio de Maceió. Obteve liberdade condicional em 1995 e foi morto, ao lado da namorada, Suzana Marcolino, em sua casa de praia, em Maceió, em 1996.

A princípio, a morte era tratada como crime passional (Suzana teria matado PC e depois se matado). Mas o inquérito foi encerrado em 1999 com indiciamento de oito ex-funcionários de PC.

Law Kim Chong, entre 2004 e 2005

O empresário chinês Law Kim Chong é apontado pela Polícia Federal como o maior contrabandista do Brasil. Brasileiro naturalizado, Chong foi preso em 2004 sob a acusação de corrupção ativa e obstrução dos trabalhos da CPI da Pirataria da Câmara dos Deputados.

Em agosto de 2005, foi preso novamente, desta vez em flagrante , por crimes de lavagem de dinheiro, descaminho (importar produtos sem pagar os impostos), e contrabando. Chong saiu da prisão de Tremembé, no interior de São Paulo, em março de 2008, mas foi preso novamente em abril do mesmo ano.

Luiz Estevão, na PF de Brasília em 2000

O ex-senador Luiz Estevão foi preso, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de vários crimes relacionados ao desvio de R$ 169 milhões nas obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, ao lado do ex-presidente do TRT-SP Nicolau dos Santos Neto e do empresário Fábio Monteiro de Barros. Todos negam envolvimento.

Entre as acusações, estão as de peculato, estelionato, formação de quadrilha, corrupção passiva e falsificação de documentos. Ele teve o mandato cassado em 2000. Na PF de Brasília, Estevão passou apenas uma noite em 2000. Foi preso várias outras vezes, mas todas as outras vezes na PF de São Paulo. Deixou a sede da PF em São Paulo em 2006.

O escândalo do TRT tem conexão direta como governador afastado José Roberto Arruda. Foi por causa dele que Arruda renunciou o seu mandato de senador em 2001. Ele era suspeito, junto com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães, de violar o painel do Senado na votação sigilosa que levou à cassação de Estevão.

João da Rocha Mattos, em 2004

O ex-juiz federal João da Rocha Mattos foi preso pela Polícia Federal na chamada operação Anaconda, em dezembro de 2003, que o apontava como o chefe de uma quadrilha de venda de sentenças judiciais. Ele ficou na PF de Brasília em 2004. Hoje, está na Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo. Perdeu o cargo de magistrado em 2008.
Marcelo Borelli, entre 2000 e 2001.

Marcelo Borelli, em 2000 e 2001

O assaltante Marcelo Borelli foi preso em 2000 no Paraná, quando voltava do Paraguai com um carregamento de armas. Foi levado imediatamente à PF de Brasília, onde ficou até 2001. Liderou a primeira rebelião da superintendência, e acabou ferido por outros presos.

Logo após a prisão, foi divulgada uma fita de vídeo em que Borelli torturava uma criança de quatro anos, filha de um inimigo. Pelo crime, ele foi condenado a 172 anos de prisão, que se somou à pena de cinco anos de prisão por tráfico de armas. Borelli também participou em 2000 do sequestro de um avião da Vasp.

O assaltante morreu em 2007, aos 39 anos, no Complexo Médico Penal de Piraquara, na grande Curitiba, vítima de complicações causadas pela Aids.

Fonte: R7
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